Cartas frente ao Mar (V)

Minha Querida,

As suas palavras são minhas, embora expressas doutra maneira.
Ainda bem! Assim, as minhas também são suas.

Metafísica! Consciência! Dialéctica! Reconhecimento! Ser!
Temas onde somos plenitude. Temas onde ainda seremos muito mais.

Quando nos percebemos num determinado nível de consciência, nenhuma história é representativa num, nem por um, único período. Vários tempos são necessários. Porque, como já referi, não há tempo à escala humana.

Entendo perfeitamente!
O ser que fazemos, permite-nos ver o fogo que arde na chama invisível do Ser supremo.
E virá a altura em que também seremos a flama azul do intemporal. Completamente dispensados da forma humana, mas à qual poderemos sempre retornar.
Lembre-se, nada é sem o livre arbítrio.
Se calhar já o fizemos? Quantas vezes não sei.
Apenas reconheço a sua energia ou, se preferir, a sua luz.

Por isso, vá em paz a Salzburg. E não se preocupe se por lá ficar. Não será a sua totalidade, mas apenas uma parte. Nada é igual ao inicio. Tudo evolui!
O que realmente não devemos permitir é que algo nos impeça de progredir. Vá sossegada!
Creia que sempre a reconhecerei. A todos os níveis: o seu passado, o seu presente e o seu futuro.
É o coração quem reconhece!

Quanto a eventuais dúvidas, repare que fluem neblinas das águas que descem pelas cascatas. Tanto antes, como durante e depois só existe vida. Pela multiplicação das possibilidades!
O que recordar nesta sua viagem será uma dádiva. Será um exemplo concretizado que o todo que é não é apenas a soma das partes.
Vá, e renasça. Regresse e entregue-se ainda mais ao sentir.

Quanto às palavras, “matéria mais sublime desta Vida”, é precisamente a escrita que nos faz. E une! Quer pela simbologia matemática como pelo significado das letras. Num grau de incomensurável agregação. Não o sente?
Nós somos a escrita flamejante nos mares dos tempos. A mais pura das interioridades!

E desculpe-me este ultimo expressar, mas espero só ser biograficamente nos reencontros.
É principalmente aí que acontece o reconhecimento. Apesar de este se prolongar em flutuações quânticas que preenchem, por exemplo, as linhas do “caderno epistolar”, é nesses momentos que o coração mais pulsa.

Assim, se alguma vez escrever a minha biografia, faça-o nesta grandeza: Vibrava nos reencontros.
E eu sempre voltarei.

Beijo terno, doce alma.

V.

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