Cartas frente ao mar (XI)

Minha Querida,

avizinham-se novos tempos.

Há um distanciamento nas auras singulares que revela a partida do horizonte.
Apesar da luz que as conforta, as águas estão diferentes.

Sempre soube que existem luzes intemporais que se reencontram no temporário que faz as diferentes vidas, voluntariamente experimentadas.
É precisamente o Ser na entidade cósmica da Luz que nos impele a seguir.

Já o afirmei antes, reafirmo-o aqui: é nos reencontros que mais vibro.
Não tenho qualquer dúvida que é a (re)iniciação temporal que leva ao assumir na consciência universal. Não há plenitude sem aprendizagens nos tempos.

Nem todos temos os mesmos instantes de partida, mas mantemos o elo que nos faz no contínuo.
Haverá sempre cristalinos que nos levem a este mar e ventos que multipliquem os beijos aqui trocados.

Contemplo abóbada celeste do meu coração.
Os diamantes azuis que aí pulsam jamais deixarão que seja lembrança.
Será sempre essência viva em mim.

Despeço-me destas águas sem momentos de tristeza, pois o meu eu é gratidão.
Mas deixo este desejo:
Aceite as carícias da brisa!

Aguardo-a em novos mares azuis celestes, onde os cânticos do silêncio chamam.

Um beijo terno, doce alma

V.

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Os textos e poemas publicados neste blog são parte nos seguintes livros: Interioridades da Luz; Cartas frente ao Mar; Comentários na face da Noite.

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