Cartas frente ao Mar (III)

Minha Querida,

Ao ler as suas linhas, não consigo deixar de sentir uma multiplicidade de sensações.

Transbordo de felicidade ao ser, também, na irradiação do espírito da sua alma.
Plenamente comovido pela sua emoção. Que sinto intimamente e que dela me julgo catalisador.

Depois, pela riqueza sensorial expressa nas suas palavras, há uma dupla certeza:
da sua expansão a outras dimensões e o ser noutro, ou melhor, num “novo estado de consciência”.

O tempo fez-se para nós. Disso não tenho qualquer dúvida.
Mas também é verdade que andei (andamos?) tresmalhado pelas eras.
Talvez por essa razão haja a tal ambiguidade do sentir. De contentamento em todos os casos. De felicidade em alguns mais concretos.

Fico imensamente feliz em a sentir nesse estado. Em perceber a sua perplexidade na não correspondência. Daí que compreenda esse seu desejo em regressar a Salzburg, que aliás já tinha sido anteriormente manifestado. Oxalá se revele o que procura. E que outra busca se inicie.

Neste caso particular, apenas lhe agradeço, e faço-o profundamente, o partilhar comigo das suas recordações que, entre nós, são sensações.
Aguardo, serenamente, o tempo das próximas.

Sei-me parte em todas as dimensões que são.
Sinto-o. Tal como percebo o cristalino do fluir em fluir.

É por isso que sempre irei consigo. A minha energia já é com e na sua!

Ternos beijos, doce alma,

V.

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Os textos e poemas publicados neste blog são parte nos seguintes livros: Interioridades da Luz; Cartas frente ao Mar; Comentários na face da Noite.

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