Arquivo de Setembro 22nd, 2008

Cartas frente ao Mar (II)

Minha Querida,

Como a compreendo!
Olhamos para o permanente transcendente que nos rodeia presos pelas grilhetas da realidade material. No entanto, não devemos deixar de ser humanos. A materialização temporária em tempos precisos é necessária para a percepção do todo que nos transcende. Só assim percebemos que não há tempo à escala humana.

Mas, para nos tornarmos mais, temos que nos saber humanos. São as emoções que experimentamos enquanto homens que nos levam ao portal do transcendente, onde o tempo imemorial de Ser é.

Não sei se sei o suficiente para explicar, ou para tentar explicar.
Apenas sei que as dúvidas são necessárias à evolução.
Só lhe posso dizer que, a mim, impelem-me na procura das respostas. Não só pelo pensar, mas principalmente pelo sentir.

Se há momentos que somos turbulência sensorial também há momentos em que somos meditação em paz. É nessas alturas que o transcendente nos acalma e nos indica a ordem.
Assim, esses momentos em que somos confluência acontecem por estarmos mais expostos ao belo. Estou certo que o exprimir aparecerá por si.

Tudo se adequará. O MULTI-VERSO sabe mais do nós.
Para além disso, esperar que a palavra se congregue terá a sua utilidade … em vários sentidos. E alcances.

O humano é um patamar na evolução cósmica do ser.
Quanto a mim, é um “constrangimento” necessário, pois o re-conhecimento deve dar-se a todos os níveis – até humano – devendo sê-lo tanto para o interior como para o exterior. Tanto connosco como com os outros.

E aqui emerge a importância da simbologia dos versos. Porque os versos não são todos iguais!
No entanto, é precisamente assim que deve ser, pois os sentires não são todos idênticos. Não se trata de alguma relatividade. Trata-se de diferentes interacções com as distintas frequências de Luz que nos rodeiam ou, se preferir, com o arco-íris que une todas as dimensões do Ser.

Por isso, a sensibilidade é o catalisador do transcendente.
Por isso, o agitar dos véus da consciência universal não é para todos ao mesmo tempo.
Porquê? Porque tudo resulta de uma escolha livre e individual. Sem vontade, não seremos mais.

A Alma é a ínfima parte do Ser do MULTI-VERSO que nos incorpora. Talvez por isso. Talvez?

As interioridades resultam do sentir ou, se preferir, dos oceanos de sentir. Estou certo que não se importará. Julgo até que se comoverá.

De qualquer maneira, também eu tenho que me desculpar. Não sou imune ao seu sentir nem aos seus sentires. Daí que alguns fragmentos emerjam dispersos nestes verbos.

E até ao limite da minha compreensão, que é finito, respeitarei. No entanto, não posso deixar de sentir tristeza, por estar “ainda mais só”. Paradoxalmente, é bom sinal. É o meu humano a falar.

Um beijo terno, doce alma.

V.


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Os textos e poemas publicados neste blog são parte nos seguintes livros: Interioridades da Luz; Cartas frente ao Mar; Comentários na face da Noite.

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